FotografArte São Paulo - SP / Ateliê Labriola

FotografArte #2 - Geraldo Labriola

Maçarico, fogo, serra, lixa, alicate, ácido, laminador e uma série de outras ferramentas que nos fazem imaginar uma enorme bancada de trabalho de uma oficina, uma metalúrgica, uma usinadora, ou seja lá o que for... Mas não é nada disso. Adicione prata ou ouro a essas ferramentas e uma série de outras ferramentas e você terá um ateliê de ourivesaria.
O Geraldo Labriola é sociólogo por formação, mas largou a sociologia para trabalhar como ourives depois de adulto – foi aprendiz de ourivesaria quando garoto e, depois de alguns anos percebeu que seu grande prazer na vida estava em ensinar o ofício da ourivesaria para outras pessoas, passando a frente toda a sua experiência e suas técnicas.
Então... Tudo começou com um convite tímido e despretensioso que foi abraçado pelo Geraldo e pela Margot e que rapidamente nos conduziu a uma esfera enorme de afinidades. Aquilo que eu imaginei como uma coisa extremamente simples foi criado pelo Geraldo de uma forma incrível. A peça foi toda idealizada por ele, que imaginou a produção de uma peça que retratasse a fotografia e que, ao mesmo tempo, não fosse tão óbvia quanto um pingente de câmera. Foi aí que todo o seu conhecimento da arte o levou ao artista baiano Rubem Valentim – pintor, escultor, gravador e professor, conhecido como o artista da luz, que tem em sua obra referências aos movimentos populares do nordeste e de religiões de raiz africana como o candomblé e a umbanda. Assim, a peça produzida pelo Geraldo traz a referência de signos e emblemas conhecidos como símbolos sagrados para as religiões afro-brasileiras. O cristal em cima da prata faz o pingente parecer um porta retrato que permite diferentes interpretações dos desenhos conforme o ângulo pelo qual você olha.
Se eu pudesse traduzir o Ateliê em uma palavra seria tranquilidade e, se eu devesse resumir aquela tarde em uma palavra, essa palavra seria concentração. Foi um dia silencioso, de produção e contemplação ao mesmo tempo, que nos levou a uma atmosfera completamente singular. A melhor parte disso tudo? Sem dúvida alguma foi ouvir do Geraldo que o FotografArte despertou nele uma coisa que ele tinha perdido ao transformar